Enfim, a vontade de protestar contra uma instância moral instituída socialmente, determinadora da compreensão dos sentidos e regente da experiência direta coletiva - aquela própria instância social que pode ser entendida por objetiva, normal (de norma) - não queremos isso, nossa escrita é movida por um desejo de libertação, queremos a realidade1 e não a abstração moral dela - abstração ou a consciência ordinária, o fluxo verbal onde o pensamento só tem ao pensamento e perde a dimensão da experiência. A filosofia ocidental se faz ,presentemente, não sei se antes, num fluxo antifilosófico, no sentido de que ela não se preocupa em preservar a própria experiência de viver as coisas no momento em que se vive - a vida aqui é pensada, o pensamento abstraído substituiu sua matéria e alimenta-se de si próprio - as experiências estão para serem exemplos para as teorias e não o contrário. Os óculos que se colocam para ver o mundo. A liberdade de pensamento é a liberdade de não ter de se legitimar enquanto o pensamento não passar de mera impressão, nisso ele deve ser claro, não deve excluir a possibilidade de uma visão diferente, já que a própria vida, além dos óculos compartilhados, é compreendida sensivelmente de maneiras distintas por cada um.
1Uso esse termo sem seus imbricamentos conceituais incessantemente discutidos e problematizados pela teoria, especialmente durante os últimos dois séculos.