sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Nossa percepção tende a se fechar numa afirmação de um princípio válido para nós moralmente, ou de um ponto de vista prático. Penso que devemos, portanto, fazer um grande esforço no sentido de apreender a experiência através de nossa sensibilidade direta com ela, sem abstrair para um plano imaterial, o da objetividade convencionada, se quisermos, então, extrair alguma verdade possível deste mundo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

justamente, nossa ética, pela liberdade estética, pela libertação da vida, por eros e nem eros, nem palavra, amor no presente instante, dádiva


Enfim, a vontade de protestar contra uma instância moral instituída socialmente, determinadora da compreensão dos sentidos e regente da experiência direta coletiva - aquela própria instância social que pode ser entendida por objetiva, normal (de norma) - não queremos isso, nossa escrita é movida por um desejo de libertação, queremos a realidade1 e não a abstração moral dela - abstração ou a consciência ordinária, o fluxo verbal onde o pensamento só tem ao pensamento e perde a dimensão da experiência. A filosofia ocidental se faz ,presentemente, não sei se antes, num fluxo antifilosófico, no sentido de que ela não se preocupa em preservar a própria experiência de viver as coisas no momento em que se vive - a vida aqui é pensada, o pensamento abstraído substituiu sua matéria e alimenta-se de si próprio - as experiências estão para serem exemplos para as teorias e não o contrário. Os óculos que se colocam para ver o mundo. A liberdade de pensamento é a liberdade de não ter de se legitimar enquanto o pensamento não passar de mera impressão, nisso ele deve ser claro, não deve excluir a possibilidade de uma visão diferente, já que a própria vida, além dos óculos compartilhados, é compreendida sensivelmente de maneiras distintas por cada um.
1Uso esse termo sem seus imbricamentos conceituais incessantemente discutidos e problematizados pela teoria, especialmente durante os últimos dois séculos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

   




Eu existo no intervalo entre um fazer sentido e outro. O vazio que se abre, entre um pensamento e sua ação, me suga tal qual um buraco.  Não acredito que a morte seja um buraco, nem o vazio dentro dele. Acredito que o vazio para a morte não existe, pra vida também não deveria, mas caímos dentro dele.                         Enfim,         O medo sempre se dissipa, o que somos nós, sem nós?
O que é você?             não você.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

do tamanho de um microfilme no canto da tarde, enjaulado, descontente, mas pirado também

O cinema sonoro, você pensa hoje em cortar o cabelo.
 O cinema hoje, a tensão da telinha se agarrou no cabelo.
     Veja mais filmes Tomaz, leia mais
livros.  Olha, eles estudaram, esqueceram do facismo.
Eu que sou radical, não eles, grandes, juntos, facismo,
facílimo, sorria! Não! Durma! Não! Fale! Não!  deixa,
eu compus sonata pra joguinho de computador, vai estrear na China,
Vai estrear no livro,
estalando mariposa em 1600000000000 bitz por décimo segundo,
Vai estrear, nos antípodas da mente do meu filho abortado,
eu vou chorar, mas não vou ficar triste muito tempo; a vida sempre segue

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Uma externa da baía

Depois do ponto final ainda pode se ver mais um pouquinho. O fim? Diríamos da morte, mas nem isso podemos saber.












Wheels keep on spinning round

sexta-feira, 11 de março de 2011

.

E nos bancos de dados estão todos os registros relegados, renegados, ou mesmo errados, que por qualquer motivo que tenham sido apagados.

terça-feira, 8 de março de 2011

Origem dos olhos caídos

Se objeto e sujeito não representarem mais relações diretas porque agora os dois se confundem...




E nem negar ou afirmar com olhos e sombrancelhas.
Nem dizer com qualquer palavra, nem impor
nem pedir,
nem rejeitar, nem esperar.

Não esperar compreensão num esboço de gesto que significa redenção ou amor.
Mas apenas um sorriso, que contém o universo, e libera o espírito para se unir em outro plano, no mais perfeito silêncio. E é tudo, de sempre.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

2 Putões num Gol,

 mandaram-me parar como quem tão na tv.

Revistaram meu carro e acharam a arma do crime.



-Mas esse não era um crime com arma, não senhor.




-Só vim pro sossego, me tirar desse corre que acaba com a gente.
/
-Moleque porra, para de porre, safado indecente.
/
-Eu falo a verdade mas você não sabe, eu sou inocente.


Por vaidade ou por ignorância, não sei.





Depois avisaram o superintendente regional,
que pediu pra colocar uma homenagem minha no jornal.

E eles diziam com os dois olhos encima do nariz:
-Lamentável, laventável isso, vejam só.


Fizeram uma campanha no horário nobre.
Um comício nacional pra salvar a grana da madeira
que imprime o jornal.


E eles conseguiram, sempre conseguem.

É tanta porcaria sendo vendida pra quem nem pode.
É tanta jóia que brilha pra quem não tem.
Isso explica tanta merda, mas não justifica coisa nenhuma.



É tanto estardalhaço por causa de uma causa que eu nem sei.
Que nem eles sabem, menos ainda, bando de palhaço.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eva



ss          eb            n                tr                ir                                  maybe

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Unicórnio Voraz

    De montanha em montanha cada um sua a panelada doce encanto. Crer que a vida pode, de certo há esperança, adquirir forma de modelo. Não há mesmo possibilidades de quebrar o encanto. Não há mais possibilidade que não seja modelo.
    A partir de quando essa sua idéia, esse deu domínio, demônio reluzente, príncipe encantado da estória infantil, exerceu tanta influência nos renitentes da terra mágica? Como poderá impedir o unicórnio de voar?



    Outra vez, no meio da paisagem, sozinho. Lembrando de não esquecer que para incluir ritos flamejantes, danças tribais, reduzir tudo para os olhos, em 180º, numa panorâmica linda para para o cinema: maciço investimento, em potes de ouro, enterrados no quintal chamarei-os de Deus e venero, oh Deus!, Zeus!, Buda!, Pitágoras!, Jesus!, Mãe-da-Rua!, Universo, poeira!, poeira dourada.



    Toda essa poeira cósmica infinitamente cobiçada, motivo da briga e pretexto para o jogo, certeza de início do conto. Mas como poderíamos fugir do cenário assim, no meio da cena?

    Tudo que há envolta, tudo que há dentro. Emaranhado de fios sensitivos, sem distinção, discernimento, datação, reconhecimento. Além ou aquém do imaginável, o conto não faz sentido. Discrepância proeminente, martele com o casco, e então Rock'n'Roll, mais um pouco de cada disso e o resto Rock'n'Roll.





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O mesmo caminho para todos, com pequenas variações: seus afetos e desafetos, seus interesses e desinteresses, suas tragédias pessoais, mas no fim todos estarão lá no fim do ano, fazendo a declaração do imposto de renda, e se um morrer tem um bilhão.    São São Paulo  ele vislumbrou com cegueiras de manteigas cansativas;

Eu só queria olhar por olhar, fazer por fazer, mas não dá, é contra a lei.      Bossa Nova Yorke. BNY.
                                                                                                               security, credit. need money?
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Deus 4 (A Criação 2) Fim

Virachocha (O deus de todos os deuses)

O Sol, ali, todos os dias, se movimenta sempre do mesmo jeito.
E toda essa vida que nasce das ondas do Sol...
Mas quem foi que pôs o Sol, ali, todos os dias, do mesmo jeito?
Se há uma ordem maior que deu origem ao sol, então essa também é a ordem da vida.


Se além do movimento dos corpos celestes há uma vontade, poderíamos chamar essa vontade de divina, e chamá-lo Deus, Único, acima de todos e criador da vida. Mas aí estáriamos sendo católicos demais (dando atributos humanos à Natureza) e os católicos não sabem de nada, nem de sexo.

Acima da relação que há entre o Sol e a vida, entre qualquer estrela e o cosmos, está, não uma vontade, mas uma Unidade. Tudo que surge do acaso é fruto do mesmo, a aleatoriedade é perfeitamente estruturada, toda matéria é potencialmente viva, é unica e está em união, faz parte do Todo, e o Todo é vivo, o Todo é Viracocha.

Mas a vontade divina, a vontade perfeita, existe. A vontade de Viracocha. É a vontade da vida, são os instintos, é o universo se movimentando segundo seus padrões, é o que os físicos chamam de leis e esboçam teorias, é o movimento de todo o universo em direção à vida. É o desejo de toda a vida por procriação e de todos os impulsos por se verem livres.

Deus é senão o movimento cósmico da vida, é a Natureza, são as pedras e as plantas, sou eu, como matéria viva e como matéria morta.




Fim de "Deus".

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Deus 3 (A Criação 1)

Inti (deus Sol)

A vida, Deus, pela vida e é por isso que Deus, pela vida, Deus.
Mas então a vida na terra vai dizer-nos desse Deus. E dizer quem é ele, afinal.
A começar por dizer quem ele não é.

Não é fácil, as pessoas tendem a achar que Deus é invisível e faz parte de uma realidade paralela. Mas é que com ar-condicionado e automóveis fica difícil mesmo perceber quem é senhor de tudo isso, a grande força geradora, desde a primeira forma de vida ao feijão cozido do almoço, jogando seu sopro luminoso sobre um amontodado de carbono e fazendo surgir a Vida.
E a vida nada mais é que o movimento do seu sopro sobre a matéria. E assopra, mais e mais, o infinito diverso, a perfeição que contém tudo e de tudo é diferente.

Não somos seus súditos, nem seus herdeiros, seus filhos ou seus reflexos. Não estamos procurando sua origem, sua verdade, nem seus fótons. Não precisamos querer nos integrarmos a ele, pois somos, sim, sua Energia, e mais nada.

                                                                    

domingo, 16 de janeiro de 2011

Deus ,2 ( A VIDA )

No começo, Tudo eram delícias.
Não havia templos nem cordeiros de cristo.
O tempo não tinha nome e cada segundo era puro deleite.
Não havia religião, pois Adão e Eva escutavam a voz do Senhor Todo Poderoso enquanto caminhavam pelo jardim do Éden.

Até que inventaram o pecado.
Mais ou menos aos 5 ou 6 anos.

Depois surgiram tantos outros que chamaram esse primeiro de original, O original.

Não podemos viver então mais que à sombra do desejo.
Em nenhuma delícia, em nenhum deleite encontraremos ele, A Luz, serena, puro amor.
Será sempre ilusão, e a ilusão de uma ilusão.
A imagem de um monstro vingativo, ciumento e ainda por cima Todo Poderoso.

Cólera, Cólera Divina, dilacera nossas almas, faz-nos vomitarmos nossas tripas. Um choque no cérebro, um raio no peito. Possuído, possuída aprendestes, aprendeste agora o que é deus?                       




                                                              Eros

sábado, 15 de janeiro de 2011

Deus

O trovão nunca teve voz, as nuvens existem para serem vistas e não para serem lidas.
Mas eles tentam, eles tentam.
Atiraram mais de mil flechas para o céu e não tiveram nenhuma resposta.
Mas ele existe, ah ele existe, essa é uma certeza.


     (continua...   várias continuações, inclusive







Desconexidade:

Eu descobri esses dias um cara muito foda, seu nome é Gaspar Noe.
http://www.youtube.com/watch?v=2gsz_sPTshk
assistam em uma sala escura e no full screen. a não ser que você seja epilético.


As pessoas, quando querem mostrar, escondem muita coisa. E quando querem esconder, acabam mostrando muito.
isso eu que acho, eu que digo. vos digo, adeus, a deus.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Macaco monstro comendo o ego

Macaco monstro! Macaco monstro!
Macaco monstro tirando a calma!

Macaco ,  olha pra vida  O que é a vida?
Monstro! O que é a vida? que a vida
é e a morte o que é? 

Macaco monstro tirando o chão. Cadê o chão?
Macaco a vida, macaco o chão!
Ela é sem chão. Ela que é monstro. Ela é sem chão.

Macaco o dia morreu sentado e a vida ficou sem chão.