mandaram-me parar como quem tão na tv.
Revistaram meu carro e acharam a arma do crime.
-Mas esse não era um crime com arma, não senhor.
-Só vim pro sossego, me tirar desse corre que acaba com a gente.
/
-Moleque porra, para de porre, safado indecente.
/
-Eu falo a verdade mas você não sabe, eu sou inocente.
Por vaidade ou por ignorância, não sei.
Depois avisaram o superintendente regional,
que pediu pra colocar uma homenagem minha no jornal.
E eles diziam com os dois olhos encima do nariz:
-Lamentável, laventável isso, vejam só.
Fizeram uma campanha no horário nobre.
Um comício nacional pra salvar a grana da madeira
que imprime o jornal.
E eles conseguiram, sempre conseguem.
É tanta porcaria sendo vendida pra quem nem pode.
É tanta jóia que brilha pra quem não tem.
Isso explica tanta merda, mas não justifica coisa nenhuma.
É tanto estardalhaço por causa de uma causa que eu nem sei.
Que nem eles sabem, menos ainda, bando de palhaço.
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